Lago salgado, deserto Maranjab

Se bem me lembro tínhamos ficado por Kashan da última vez que escrevi, certo?!

De táxi, junto com o Pavlovic que é sérvio e com o George, chinês, decidimos ir explorar a área envolvente da cidade. De manhã fomos até aos jardins Bagh-e Fin, mas como estava tanta gente acabou por ser difícil de ver muito. Era sexta feira, ou seja, fim de semana no Irão, mas mesmo assim gostei. Dali seguimos até Abyaneh, provavelmente o local que menos me atraiu até hoje neste país cheio de coisas boas. Talvez porque as minhas expectativas fossem elevadas, mas a verdade é que não gosto de estar numa vila onde já não existe a vida local e onde nas ruas abundam turistas a atropelarem-se uns aos outros… Eles os dois também não me pareceram muito excitados com a nossa visita por lá. O que gostei mais desta manhã deve ter sido o caminho entre os jardins e a vila, rodeado de montanhas, como aliás é quase regra por aqui.

De tarde o destino foi natureza, o deserto e um rio seco salgado, subimos às dunas, vimos o pôr do sol e tiramos fotografias com turistas iranianos. Quando fomos embora o taxista perdeu-se por alguns minutos devido a uma pequena tempestade de areia, quando encontrou a estrada fez uma festa como se tivesse ganho a lotaria!

Holy Shrine, Kashan

De Kashan entrei num autocarro com direção a Esfahan, uma cidade que já conhecia e de que tinha gostado muito. Depois da minha segunda passagem por lá continuei a gostar muito. A energia em volta do rio, desta vez com água, muita água (em 2014 estava seco), é incrível… Se for ao fim do dia é ainda melhor. Pic-nic, conversa, cantar, dançar… é uma lição de como viver os tempos livres. Voltei a estar com a minha amiga Malieh, artista de educação e profissão.

Eram os últimos dias antes das eleições e os candidatos andavam pelo Irão, num dos dias o atual presidente veio falar a Esfahan e eu assisti. Muita gente veio falar comigo para saber os meus pensamentos sobre o assunto. O presidente, que voltou a ganhar as eleições, era o preferido dos jovens:

-Não é bom, mas é o menos mau! – Diziam eles.

Vida junto ao rio, Esfahan

De Esfahan segui para Yazd, estive dois dias a andar pela cidade antes de me juntar a um casal, o Matthiew e a Carmen, ele francês e ela alemã, que queriam ir visitar o deserto Kalut. Na estação rodoviária em Kerman chegou o nosso guia com Morten, um rapaz dinamarquês. Os cinco juntos seguimos para os mais de 40º que estavam no deserto, o meu corpo parecia uma torneira, os olhos ardiam e a água potável era pouca. A parte boa?! A paisagem incrível! Mesmo…

Já com pouca luz e sem conseguir ver o pôr do sol devido à quantidade de areia no ar fomos para uma casa local onde jantamos e dormimos. Às 5 da manhã seguimos novamente em direção ao deserto para ver o nascer do dia. Mais uma vez não foi possível, nublado, completamente nublado, mas não me queixo, outra parte do deserto, outra paisagem brutal! A cada minuto que passava a temperatura aumentava e assim seguimos, com algumas paragens, até estarmos de volta a Kerman.

Deserto de Kaluts, Kerman

Eu sigo para uma pequena vila que fica a meio caminho com Yazd, por lá fico dois dias com Hamid que fez da sua casa uma pensão. A melhor comida, nesta segunda passagem pelo Irão, foi aqui, a sua mulher cozinha tão, mas tão bem! Com ele e juntamente com outros turistas fui beber chá para as montanhas, visitar pequenas vilas e fazer caminhadas sem ruído por perto.

Várias pessoas que conheço viajam à boleia pelo mundo, Morten, o rapaz que conheci em Kaluts anda a fazer isso pelo Irão. Pensei que era giro experimentar por aqui e assim foi, disse-lhe que ia à boleia para Bandar Abbas, no sul do Irão. Ele gostou da ideia e combinamos juntarmo-nos numa pequena vila, cinquenta quilómetros a sul de Kerman.

De onde estava até ele eram pouco mais de 100 km que foram divididos entre 6 boleias, duas delas onde as pessoas falam perfeitamente inglês, onde fui convidado para ficar em casa deles e onde me foram dados os números de telefone em caso de precisar de algo. Nas outras quatro a comunicação foi por gestos, um deles era distribuidor de leite e levou-me a alguns clientes antes de me deixar na estrada principal para seguir viagem. Entre boleias nunca esperei mais de 1 minuto, incrível!

Chego ao destino onde já estava Morten, diz-me que a sua boleia lhe queria oferecer dois bilhetes de autocarro para Bander Abbas, obviamente que ele recusou. Bem mais do que viajar sem gastar dinheiro, viajar à boleia é um forma incrível de comunicar com outras pessoas, de partilhar experiências. Até Bandar Abbas foram 3 boleias, uma delas por perto de 400km, um camionista que não falava inglês mas que estava tão feliz por nos ter com ele, tirava selfies connosco e enviava orgulhoso para os seus amigos pelo whatsapp, sempre que passávamos pela polícia pedia que fingíssemos que estávamos a dormir.

Chegamos de noite e tivemos de esperar para o próximo dia para apanhar o barco para a ilha de Qeshm, foi difícil encontrar um local barato para dormir, primeiro levaram-nos para um hotel de cinco estrelas, depois para algumas pensões, todas elas cheias até que alguém nos indicou um pequeno hotel local com um preço aceitável.

De manhã acordamos bem cedo para apanhar o primeiro ferry para Qeshm!

Estas semanas foram bem diferentes da primeira e da minha primeira vez pelo Irão. Agora fiquei em hosteis e albergues, mais com turistas do que com pessoas locais e cada uma tem o seu encanto! Com os locais aprendes e vives mais o país, com os outros turistas aprendes um pouco de outros países…

Gosto mais de estar com os locais! 🙂

Beijos & Abraços!