A meio de Outubro de 2012, já de noite, a chegar a Tromso, cidade que fica acima do Círculo Polar Ártico, bem lá no norte, o céu dá-me as boas-vindas com um jogo de luzes e de cores impressionante. Ainda de mala às costas, fico petrificado a olhar para o céu, aquilo não tem palavras, é magia! Entretanto sou convidado a entrar em casa do Thomas, um alemão que estuda medicina. Por aqui, uma larga comunidade de estudantes estrangeiros, ele e alguns amigos já me esperavam no apartamento para jantar. Entre conversa e sopa de legumes, digo que estou ali, tão a norte, no meio daquele frio todo por causa das auroras, que queria observar e fotografar o máximo possível e que tinha mais ou menos uma semana para ficar por lá. Combinamos sair depois do jantar para locais sem luz artificial, onde a visibilidade é melhor, quando lá chegamos, as auroras já tinham ido dormir.

No dia seguinte vou até à universidade ter com o Thomas, junto a ele estava um rapaz a mostrar umas fotografias que tinha tirado na noite anterior junto a um lago.

– Elas não paravam de vir! – Exclamou ele com os olhos a brilhar. Os meus olhos também brilhavam, mas com vontade de chorar! Eram imagens de auroras boreais da noite anterior, imagens lindas!

Combinamos no próximo dia procurar auroras, mas elas não apareceram; no dia seguinte o mesmo e assim sucessivamente. Na internet avisa que vem aí o dia com mais auroras, diz que vai estar tão forte que mesmo no sul da Noruega vai ser possível avistá-las. Entusiasmados, combinamos ir acampar para as montanhas, levámos muita roupa e dois sacos de cama cada um. Thomas, a namorada e eu e um buraco no chão com espaço para uma pessoa e meia, mas nele nós os três, deitados de barriga para cima, no meio dos graus negativos, à espera do espetáculo. Infelizmente o espetáculo nunca aconteceu por culpa única e exclusiva das nuvens que ocupavam todo o céu, até para lá do infinito. Bebemos vodka para esquecer e aquecer!

Mais dois ou três dias por lá e nada… nada de auroras boreais!