Irão? Mas tu és doido? Não tens medo? Eles são terroristas, bombistas, muçulmanos, é perigoso… Ouvi estas e outras palavras vezes e vezes sem conta enquanto planeava a minha viagem, cada vez que as ouvia a minha vontade de ir era maior. Sempre me fez confusão ouvir críticas sem ter algo que comprove o teor das mesmas! Sempre me fez confusão julgar alguém por causa da sua religião, cor ou aspeto! Sempre me fez confusão as pessoas acreditarem em tudo o que ouvem!

A verdade é que eu não sabia bem ao que ia e para ser sincero tenho de admitir que tive medo, sim, tive medo em todos os segundos que passei pela antiga Pérsia, ou melhor, ainda tenho de cada vez que penso naqueles vinte e um dias.

Tenho medo de nunca mais lá voltar!

Não me sai da cabeça tudo o que passei por lá! Não existe povo como este, começando pela Sahar que no meu primeiro dia no país me recebe em casa às quatro e tal da manhã com um sorriso contagiante, um olhar viciante e uma energia incrível que me deixou apaixonado sem perceber bem como, passando pela pequena Katea que me chamou de irmão e chorou no dia que vim embora, depois de passar três dias na sua pequena vila no Curdistão onde os pais dela me obrigaram a tomar todas as refeições na casa deles e ainda pagaram o quarto onde estava a dormir. Assim como os habitantes dessa vila que só na última tarde que passei por lá fizeram com que bebe-se vinte e três chás em diferentes casas! Já me estava a esquecer dos dois homens que na estação de autocarros quase lutaram entre eles para decidir quem me levava a almoçar em sua casa! De quem também não me esqueço é do Saeed que fez da sua casa a minha e assim como Malieh me mostrou parte da cultura Persa cheia de sabores e história.

Não vou falar de todos os que me abordaram na rua, que me convidaram para suas casas, que me ofereceram comida, que me mostraram os locais onde queria ir. Não vou falar de todos os que queriam simplesmente passar uns minutos à conversa comigo, nem tão pouco vou falar de todos os que passaram por mim e me ofereceram o melhor sorriso que tinham…

Queria escrever sobre a colorida Mesquita de Nasir al-Mulk em Shiraz, sobre a vibrante praça Naqsh-e Jahan em Isfahan ou mesmo sobre as pequenas casas de barro em forma de cascata na vila de Palangan mas não consigo, cada vez que o assunto é Irão os meus pensamentos são invadidos pelas pessoas, por tudo o que me deram, sem sequer aceitar nada em troca.

 

Amor – Sentimento que nos impele para o objeto dos nossos desejos; objeto da nossa afeição; paixão; afeto; inclinação;
– amor captativo ou possessivo: amor que procura monopolizar o outro para si;
– amor conjugal: é o abraço radical pelo qual uma pessoa une ao seu destino o ser de outra pessoa;
– amor oblativo: o que se dedica a outrem;

Este é o significado de Amor no dicionário de língua portuguesa, este podia ser o significado de Irão em qualquer dicionário do mundo!

Amor e Irão, Irão e Amor, uma palavra só que se escreve de diferente maneira!

 

Fotografia: Pequena Katea, Curdistão.