Nunca tive férias em família, a não ser uma semana em que eu, a minha mãe e a minha irmã fomos fazer uma surpresa ao meu pai a Vilamoura, onde ele estava em formação. Entrei no hotel, vi-o na recepção e corri para a rua para avisá-las que ele estava ali, falho a porta automática e mando uma cabeçada no vidro, dou três ou quatro passos atrás ao mesmo tempo que o meu pai vem rápido na minha direção a fazer sinal para eu não chorar, já era tarde, as lágrimas já corriam pela cara, tinha 7 anos.

Em Maio, no casamento da minha prima Cláudia e do Alexandre, eu e alguns primos decidimos que era giro organizar uma viagem juntos. Cinco meses depois, a 26 de Outubro, encontramo-nos no aeroporto de Lisboa, eramos 14 no total. Destino? São Miguel, Açores.

Aterramos bem cedo em Ponta Delgada, fomos levantar os três carros que alugamos e menos de vinte segundos depois de arrancar o Diogo, o meu copiloto, grita:
– OLHA A CANCELA!! Travo a fundo, o Isaac que vem em segundo faz o mesmo e por pouco não bate no meu carro, o Alexandre, em terceiro, ainda vem longe. Com o vidro completamente embaciado nem vi a cancela! Era uma entrada gloriosa!

A Lagoa das 7 cidades foi a nossa primeira paragem, nevoeiro no alto e nós por cima dele, chove, para, veste camisola, tira camisola… Outono e Primavera foram as estações do dia com um cheirinho a Inverno e Verão por breves minutos. Sobe, desce, desce mais antes de voltar a subir, verde à volta, cinzento no céu, verde à volta, azul no céu, azul na água do mar, eu e o Isaac queremos saltar mas fomos proibidos porque ficou tudo em casa, calções, toalha, etc.
– Vamos de boxers. – Dissemos nós. – Não, porque depois as crianças também querem ir e ficam doentes. – Não saltamos! Triste!

Os outros 3 dias foram iguais ao primeiro, sair de casa cedo já com o pequeno almoço tomado, e voltar tarde para ir explorar a ilha ao máximo, sempre com paragens técnicas pelas muitas piscinas de água quente que a ilha tem. Um lago aqui, outro lago ali, chá, ananás, praias e mais e mais. Como no primeiro dia o Outono e Primavera tiveram sempre presentes, assim como as cores, as subidas e as descidas.

Uma família como a minha não devia ter permissão para fazer férias nos Açores, a calma dos lugares que visitávamos rapidamente desaparecia com a nossa chegada, muita conversa e muitas gargalhadas.

O único senão destes dias foi o excesso de tempo dentro do carro e a falta de caminhadas, é um crime ir aos Açores e passar tanto tempo no carro.

Até breve Açores, até breve!!