Lembras-te que no meu último post disse que depois de chegar a meio do caminho tive um misto de sentimentos?! Então, por alguns dias os sentimentos maus, ou pelo menos o “mood” negativo ganhou. Eu acredito que involuntariamente tentei esconder o que sentia quando estava com pessoas, sorrindo e fazendo-as sorrir como sempre, mas isso só fez com que esses sentimentos crescessem dentro de mim e no dia 59 eu não consegui dormir, depois andei 66,4 km e nesse dia voltei a não dormir. Eu estava de volta à idade das perguntas, centenas delas na minha cabeça, a maior parte delas sobre mim e sobre a minha vida, mas muitas também sobre a vida de outras pessoas, sobre o mundo, sobre o universo, sobre tudo e mais. Tantos porquês na minha cabeça sem resposta. Porquê? Porquê? Porquê?
No dia 61 caminhei forte outra vez, fiz 56,7 km, queria nadar num lago mas quando cheguei já não tinha força para fazer nada! Para ser sincero não me lembro da maior parte do dia, só sei que andei, disse olá às pessoas, sorri e continuei a andar com os fones nos ouvidos, a música estava a tocar, acho, não tenho a certeza! Acampei num lugar mágico com uma vista linda, sozinho como queria, jantei sentado numa pedra gigante no lago e depois do pôr do sol fui para a tenda. Ainda antes de fechar os olhos para tentar dormir, depois de duas noites sem o conseguir, comecei a chorar, chorar como não me lembro de ter chorado nos últimos anos, chorei tão forte que às vezes era difícil respirar enquanto soluçava. É de doidos quando não conseguimos controlar a nossa mente, mas giro ao mesmo tempo! Quanto fundo podemos ir? E quanto tempo temos de lá ficar para realmente perdermo-nos? A mente e o corpo são coisas que me fascinam! E a minha mente e o meu corpo estão a fazer-me gostar de mim mais e mais.
Não, não e não, nem por 1 segundo pensei em desistir, é engraçado, acho que foi a única pergunta que não me veio à cabeça.
Muitas pessoas dizem que no fim tudo vai ficar bem, mas eu não gosto do fim, no fim nada mais importa porque é o fim, a vida é linda agora! Só temos de aceitar estes momentos e depois fazê-los ir embora.
Estou nas serras agora, não podia ser mais bonito aqui!


Dia 56 (49,1 km) – Voltei a estar com o Behemoth depois de +/- 10 dias sem vê-lo;
Dia 57 (59,3 km) – Montes & flora que parecem a minha casa;
Dia 58 (59,1 km) – Torci o pé direito a 1 km de parar e bati com o corpo no chão;
Dia 59 (45,5 km) – Comprar comida, banho rápido & andar;
Dia 60 (66,4 km) – De volta à idade das perguntas;
Dia 61 (56,7 km) – Contínua;
Dia 62 (25,7 km) – Vila;
Dia 63 (0 km) – Vila, comprar comida e o “bear canister“;
Dia 64 (57,9 km) – A mala está pesada, todo o peso vai nos meus ombros porque o cinto não aperta mais;
Dia 65 (50,3 km) – Tempo das Serras agora.

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– Todas as fotos neste artigo foram tiradas com o Samsung Galaxy S10.

Dia 51 a 55