Nos dias anteriores houve uma pequena, muito pequena tempestade e depois vários dias de calor e pouca água. Agora, no dia 36, fiz perto de 30 km só com 2 litros de água entre florestas queimadas e descampados, o sol às vezes aparecia e queimava, mas felizmente passou muito tempo escondido por isso não custou tanto a falta de água. Quando chego finalmente a uma fonte de água, filtro 2 litros, meto o colchão debaixo de uma árvore e Bum!! Começam a rebentar bombas no céu, flashes de todos os lados e chuva fraca. Consigo comer sem me molhar, mas entretanto começa a cair camarinha e o frio vem. Decido andar, 2 ou 3 km depois paro debaixo de uma árvore onde está um rapaz que vai para Norte.
– Não sei se acampe aqui ou se continue a andar, é muito exposto o caminho para esse lado? – Pergunta.
– Ah, tens uns km de floresta boa e depois 30 km em que grande parte é floresta queimada, mas sem muita altitude. Eu vou andar mais, estou a ficar com frio. – Respondo.
– Olha que vais subir e ficar exposto durante muito tempo, cuidado! – Disse ele. Cumprimentamo-nos de punhos fechados (como todos fazemos no trail) desejamos boa sorte e cada um segue o seu caminho em direções opostas.
Começo a subir e realmente passei muito tempo exposto no topo da montanha, quando cheguei ao cimo pensava que ia voltar a descer mas não, felizmente pouco depois a trovoada parou e a chuva foi com ela ao mesmo tempo que apareceu uma luz linda. De um lado céu azul, do outro uma nuvem escura que parecia que ia rebentar com o céu. E rebentou mesmo, às 3 da manhã, acampado sozinho debaixo de uma árvore pequena, já estou a perceber disto, voltaram os flashes e a chuva com força, foi assim até às 5, pela primeira vez pensei: 
“Estou aqui sozinho de noite, se começa um fogo para onde é que eu corro?!” Não tive medo, mas estive lá perto, música boa no ouvido e descansei mais um bocado. De manhã o sol brilhou, calcei os sapatos e meias molhados e comecei a andar, ao almoço meto a tenda a secar, sento-me no colchão e… adivinha? Festa outra vez. Três ou quatro horas disto, o pior é o frio, eu gosto de trovoada, desde que não faça fogos, é brutal o poder da natureza, mas o frio foi demais, mais uma vez deixei de sentir as mãos e os pés! Felizmente às 4 da tarde cheguei a uma casinha de madeira que o pessoal do ski utiliza para se abrigar, já lá estavam 4 pessoas e a lenha já estava a arder, tão quentinho, tão bom, 15 minutos depois voltei a sentir as mãos mesmo assim demorei mais 10 ou 15 minutos a tirar as duas meias, estava sem força. Pelas 5 e pouco éramos mais de 20. Só 10 pessoas eram da mesma família.
O sol apareceu, 2 raparigas seguiram caminho para norte, 2 rapazes, 1 deles quer fazer o PCT em 60 dias, seguiram para sul, eu vim à rua e pensei:
“Vou andar mais 10 ou 15 km”, mas o meu dedo mindinho esquerdo disse que se o fizesse separava-se de mim. Estava roxo, ainda hoje dói (vou no dia 49). Dormi dentro da cabine no chão. Começo a caminhar às 5.30 da manhã com a chuva, umas horas depois o sol veio para ficar. No dia seguinte cheguei a Ashland e fiquei num hostel por 2 noites, estava com receio da confusão mas este hostel parecia uma casa, tão tranquilo, voltei à vida! Fiz uma pizza de cogumelos salteados, ananás e banana, divinal!

Dia 36 (50,4 km) – Tempestade;
Dia 37 (43,6 km) – Mais tempestade e frio;
Dia 38 (59,4 km) – Chuva e sol;
Dia 39 (12,4 km) – Vila, descansar e comer;
Dia 40 (0 km) – Estou vivo outra vez.

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– Todas as fotos neste artigo foram tiradas com o Samsung Galaxy S10.