Já alguma vez recebeste um abraço que te transportou para outra realidade? Não? Fico triste por ti… mas já lá vamos, primeiro vou falar de comida. Este caminho é principalmente sobre andar, andar, andar e comida, comida e comida. Quando estamos a andar nós pensamos em comida, muita comida, quando estamos a comer pensamos em andar, andar mais e mais!
No dia 27, eu e muitos outros hikers paramos em Timberline Lodge, um lodge com vista para o Monte Hood cheio de amantes de ski e snowboard. Sabíamos que aqui o pequeno-almoço era delicioso, por 17 euros podíamos comer do melhor durante 3 horas. Assim foi, pagamos e por 3 horas sem parar nós comemos! Eu não sei quantos pratos de fruta fresca eu fui buscar, eu não sei quanto pão, iogurtes e waffles eu comi, eu não sei o que mais comi, eu só sei que em 3 horas comi mais do que em 2 ou 3 dias em casa e que podia ter comido mais, facilmente. É engraçado mas mau ao mesmo tempo, tem um pouco de ganância mas o meu corpo não para de pedir comida. Dali andei mais 38 km e acabei a jantar com a Koni, uma linda “trail angel” com mais de 60 anos que veio para aqui por 3 semanas para dar comida aos hikers, eu e mais 3 hikers passamos a noite com ela e com o Dozo, o seu cão. Antes de ir para a tenda ela perguntou-me se eu era de acordar cedo, ao que respondi que sim que às 5.30 queria estar a andar.
– Ok, não nos vamos ver mais, eu só saio do camião às 6.30. – Disse ela.
Eu fui abraça-la e automaticamente fui transportado para outra dimensão onde o amor é a única coisa que importa. Sou viciado nestes abraços onde consigo sentir o que a outra pessoa está a sentir, em que fico conectado com ela. Não são fáceis de encontrar mas eu sou sortudo de conhecer pessoas que o conseguem fazer e sim, tenho saudades, tenho mesmo muitas saudades. 
No próximo dia ela veio à rua às 6.30 e eu ainda lá estava. 
– O que se passa Juicy Fruit?! Ainda aqui estás?! – Perguntou ela.
– Eu queria outro abraço. – Respondi. Ela sorriu e veio para mim de braços abertos. Agradeceu-me vezes sem conta. Adoro estas pessoas que tiram do seu tempo para ajudar os outros e para partilhar algum amor.
O meu corpo está bom, algumas dores nos pés às vezes mas sinto que é fácil e normal andar mais de 40 km por dia.


Dia 26 (46,1 km) – Dia simples & calmo;
Dia 27 (46,2 km) – O melhor abraço;
Dia 28 (48,4 km) – O corpo está bom;
Dia 29 (62,4 km) – Pequeno-almoço de 90 minutos sozinho com vista para o monte Jefferson. (Foto);
Dia 30 (29,3 km) – Paisagem vulcânica.

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– Todas as fotos neste artigo foram tiradas com o Samsung Galaxy S10.