“Nós adorávamos ir viajar mas não temos dinheiro, os alojamentos são tão caros!”

– A sério?! Ainda pensam que viajar é só para ricos? Vou dar alguns exemplos do que faço nas minhas viagens, desta forma consigo poupar bastante e se quiser tornar uma viagem bem mais longa.

 

– Couchsurfing

O couchsurfing é uma comunidade online com milhões de utilizadores espalhados por todo o mundo que hospeda em suas casas, sem nenhum custo, pessoas que estejam a viajar.
A ideia original, como o próprio nome indica, é a de deixar alguém surfar(surfing) o nosso sofá(couch), mas tudo depende das condições que cada um tem para oferecer.
Eu, até hoje, já fiquei em muitos sofás, mas também no chão, em quartos partilhados, quartos privados, etc.

Mais do que alojamento gratuito o couchsurfing proporciona uma partilha cultural: história, língua, costumes… Eu sempre que possível cozinho para quem me está a hospedar, é uma forma de agradecer mas também de mostrar um pouco da gastronomia portuguesa.

Outra das grandes vantagens desta comunidade é a de ter, quase de certeza, o melhor guia do mundo em pessoa, e não um livro, que por norma está restrito à parte mais comercial, e onde por vezes foge à realidade. Desta forma visitamos como um local e não como um turista.
Não é tão bom provar a melhor comida, a metade do preço, numa pequena tasca escondida que só os locais conhecem?!
Não é tão bom ir visitar pequenas galerias e assistir a música ao vivo de artistas locais?!
Claro que é!

E agora perguntam vocês:

– Mas é só assim?!
– Vamos e ficamos na casa de outras pessoas sem as conhecer?!
– Sem pagar?!
– Isso é seguro?!

E eu respondo:

– Sim! É só assim!
– Sim! Vão e ficam em casa de outras pessoas sem as conhecer!
– Sim! Não pagam nada para dormir!
– Sim! É seguro! Obviamente, como em tudo, as coisas podem correr mal e por isso devem sempre ter alguns cuidados.

Fiz couchsurfing pela primeira vez em 2012 na Áustria. Depois já fiz na Eslovénia, Alemanha, Noruega, Holanda, França, Turquia, Irão, Índia, Tailândia, Vietname, China, Austrália, Indonésia e Estónia*. Fiquei só com mulheres, só com homens, com casais, com famílias e até hoje não tive nenhum problema, talvez uma ou duas pessoas com quem me identifiquei menos, mas isso é normal.

Ficaram com vontade de experimentar?
Sim?!

– Vão a www.couchsurfing.org e registem-se.

– Preencham o vosso perfil, aconselho a adicionarem o máximo de informação possível, assim como algumas fotografias, pois perfis pouco completos geralmente não conseguem encontrar alojamento.
No vosso perfil podem escolher se estão disponíveis para receber pessoas em casa; para mostrar a vossa cidade ou se não podem nenhuma das opções. Na minha opinião é giro e justo receber pessoas em nossa casa, no caso de querermos fazer o mesmo na casa dos outros. Não existe a desculpa do não tenho espaço, só tenho um quarto ou a casa é pequena! Como disse anteriormente eu já fiquei no chão, e não foi só uma vez! Vocês podem colocar no site essa mesma informação, assim se alguém vos contactar já sabe que vai dormir no chão.

– Escolham o destino e procurem pessoas nessa área.
Aconselho sempre a pedirem alojamento a alguém que tenha muitas referências positivas, se possível, que tenha os dados verificados. Esta informação dá para ver no perfil. Podem escolher ficar com famílias, só com homens, só com mulheres… Desta forma é quase certo que vão ter uma experiência muito boa.

– Se alguém não se sentir bem em ficar em casa de outras pessoas, pode dormir em outro tipo de alojamento pago e utilizar o couchsurfing para conhecer melhor a cidade.

* Aqui falei dos países em que fiz couchsurfing pelo site, pois também já fiquei em casas de amigos que conheci em viagem. Ou seja, viajar e conhecer pessoas também nos vai fazer poupar em dormidas 😉

 

– Acampar

Será que existe algum alojamento melhor do que uma tenda no meio da natureza?

Talvez exista, mas não muitos!

Adoro acampar! Sempre que vou para destinos com muita natureza é esta a forma que escolho para passar a noite. O único problema é que em muitos países não é permitido o chamado “acampamento selvagem”, por isso temos de ter alguns cuidados e ver se estamos a infringir alguma lei. Se for em lugares isolados, desde que respeitamos a natureza (deixar tudo como estava antes da nossa chegada, sem lixo, sem nada estragado, etc.), não vamos ter nenhum problema de maior.

 

– Lugares Públicos

Talvez não seja a maneira mais fácil e mais confortável, mas é uma boa forma de poupar. Sempre que tenho um transporte a meio da noite ou mesmo no outro dia de manhã cedo, fico a dormir no respectivo aeroporto, estação de comboios (só pela índia foram dezenas de vezes) ou terminal rodoviário. Encosto-me a um canto, mala debaixo da cabeça e por lá fico. Como eu, muita gente. Temos de ter algum cuidado com os pertences, principalmente passaporte e dinheiro.

É uma excelente forma de não pagar uma noite que não vamos usufruir na totalidade, uma vez que temos de sair a meio.

 

– Transportes Públicos

No seguimento da ideia anterior, pois muitas vezes o próximo destino fica a várias horas de comboio/autocarro do lugar onde nos encontramos, a melhor maneira de poupar é comprar um bilhete noturno, desta forma não se perde um dia dentro de um transporte sem poder fazer nada, assim como não se paga uma noite num hotel. Na maior parte dos países existem comboios e autocarros com camas, alguns mais confortáveis do que outros, dependendo do que cada um quer pagar.

 

– Hostels

Um Hostel é um tipo de alojamento partilhado em que não se paga por quarto, mas sim por cama. Podem ser quartos de 4 a 20 camas (acho que foi o máximo que vi, em Berlim). A maior parte das vezes são quartos mistos, em que cada um tem a sua cama e no máximo um cacifo para guardar as coisas.

Fiquei em hosteis pela Europa, Ásia, Oceânia e África, alguns abaixo dos 2€ por noite, mas por este preço não esperem muito conforto! Em agosto de 2015, estava eu na minha cama em Chiang Mai, Tailândia, quando a senhora da limpeza entra, varre o chão e com a mesma vassoura varre a cama antes de dizer à miúda que tinha chegado que era ali que iria ficar. Por lá eles mudam os lençóis muito de vez em quando!

Existem preços para todos os gostos, a maior parte deles tem cozinha equipada, podemos comprar os alimentos e guardar no frigorifico dentro de um recipiente com o nosso nome e cozinhar em vez de ir a restaurantes. Em São Petersburgo, Rússia, paguei 10€ num hostel bem limpo, onde conheci várias pessoas, entre elas os dois franceses que aparecem no vídeo abaixo, com quem fiz panquecas na cozinha do hostel.

 

– Pensões/Hotéis

São as tradicionais formas de alojamento, normalmente mais caras do que as que falei anteriormente, mas nem sempre! Às vezes com uma boa pesquisa conseguimos encontrar bons negócios. Neste caso o maior benefício é a privacidade.

Sempre que fico em hostel, pensão ou hotel utilizo o Booking.com para fazer a reserva, esta plataforma tem milhões de alojamentos por todo o mundo, dando para comparar preços e escolher o que melhor se adequa a cada um. Se fizerem reservas por este link eu vou receber uma pequena comissão, sem nenhum custo adicional para vocês.

 

Neste artigo falei só dos métodos de alojamento que já utilizei, mas existem muitos outros, alguns parecidos com o couchsurfing: como trocas de casas; aluguer de quartos privados; etc.

Sempre que utilizar um método novo atualizarei o artigo.

E agora? Ainda continuam com desculpas para não irem viajar? Se tiverem mente aberta e sem preconceitos viajar não vai sair assim tão caro 😉

Escrevam nos comentários se já utilizaram algum destes métodos. Qual foi o que gostaram mais. E se já utilizaram algum que não referi aqui.

*Fotografia: Acampamento selvagem no Sul de Portugal, Setembro de 2016

Boas viagens!!



Booking.com




Beach and Snow - 728x90