Era Março de 2016 e eu estava pela Índia, na religiosa cidade de Varanasi, à espera de um grupo de viajantes da The Wanderlust que ia chegar dentro de poucos dias.

Sempre que estou por aquela cidade passo grande parte do tempo a andar pela margem do Rio Ganges, principalmente ao nascer do sol onde o único som que combate o silêncio é o dos mantras. Pequenos grupos de hindus aqui e ali fazem os seus rituais antes das ruas ficarem inundadas de pessoas.

Andava eu a saltitar de ritual em ritual até ser abordado por um Sadhu (Homem Sagrado).

Chai?! – Diz ele. – Porque não?! Penso eu. Adoro o chá Indiano. Eu e ele sentados nas escadas ao lado da minúscula tasca que fica debaixo de um templo não muito maior.

– Dois. – Faço sinal para o senhor. Ele sorri e vai ao rio buscar água para o chai. A conversa com o “Homem Sagrado” de cara pintada, rastas, barba grande e tronco despido flui. Diz que é mais feliz desde que começou a viver nas ruas de Varanasi e a meditar, vive com as oferendas que vai recebendo.

Entretanto o chai chega às nossas mãos, deixo passar alguns minutos para arrefecer e começo a beber em pequenos goles. Tenho o Rio Ganges à minha frente, nele acontece muita coisa: as pessoas lavam roupa de um lado; elas próprias tomam banho do outro; não muito longe um miúdo lava uma vaca e ao fundo é onde diariamente enviam dezenas de corpos em cinzas, depois de serem cremados, para a água.

Fábio?! Tu estás a beber um chai com essa água!- Foi o pensamento que apareceu e ficou durante largos minutos comigo. A minha chávena já ia a meio. Não se deve estragar alimentos, foi o que os meus pais sempre me ensinaram!