Curvas e contra curvas numa estrada de chão a alta velocidade, de um lado do carro um penhasco com centenas de metros e do outro paredes de pedra gigantes escondidas no meio do nevoeiro, mais curvas e contra curvas, passagens de montanha e entretanto o penhasco troca de lado com as paredes de pedra! Vinte e três horas disto, sempre com o mesmo motorista, numa das estradas mais perigosas do mundo.
Pensava que não ia acontecer, mas aconteceu e sobrevivi! Às 11 da noite cheguei a Leh, completamente pedrado por causa da altitude, da condução e talvez por ter pensado que ia morrer algumas dezenas de vezes! Sozinho pelas ruas, a bater em todas as portas, só às 2 da manhã encontrei uma Guest House com uma cama livre, o colchão não existia, mas isso não era o importante, tentei dormir em cima da madeira, rodeado de pó, não aconteceu, fiquei mesmo doente, tentei utilizar a net para encontrar uma Guest House melhor, o meu computador não ligou, avariou na viagem. Vou bater a várias portas até que encontro uma Guest House mais longe da vila, a mãe e a filha tomam conta de mim enquanto estou doente, primeiro devido à altitude, depois com uma infeção urinária. Quase uma semana disto antes de conseguir, finalmente, ir explorar.


Pelo centro da vila encontro esta cara bonita a vender sementes e especiarias, pergunto várias vezes se posso fotografar, ele não percebe, acabo por fotografar e volto mais tarde para entregar as fotografias impressas, desde então, que ficou regra, oferecer as fotografias impressas sempre a estas pessoas que fazem mais parte de mim do que alguma vez possam imaginar!