Não tinha planos de visitar Myanmar, mas felizmente cedo percebi que os planos de viagem não interessam muito, e que o giro muitas vezes é fazer o oposto. Assim tinha planeado ir para a este e fui para oeste, para a antiga Birmânia. Este que foi só o país do Sudeste Asiático que mais me apaixonou. Entrei por uma estrada de sentido único, está aberta um dia em cada direção, fiquei uns dias numa pequena vila, depois outros tantos noutra e em seguida fiz uma viagem de 27 horas de comboio até Kalaw. Nessa viagem fui adotado, primeiro, por uma família de muçulmanos, depois destes saírem por uma senhora que fez de minha tradutora, de noite dormi nos bancos de madeira e quando acordei tinha a sua manta em cima de mim, enquanto ela dormia sem nada a cobri-la.


Em Kalaw fico uns dias na casa de uma família em que o irmão e a irmã não se falam, ambos dizem mal um do outro, a irmã casou com um homem de uma casta inferior e foi rejeitada pelo irmão, ambos organizam caminhadas, a razão da minha vinda até Kalaw. Eu e outros estrangeiros demoramos 3 dias a percorrer as estradas de chão que nos levaram ao lago Inle, entre pequenas vilas e campos de cultivo, às vezes acompanhados por crianças que traziam o gado do pasto ou por habitantes curiosos como este senhor com quem conversei por largos minutos, sem uma única palavra dita.

Quero voltar a Myanmar, quero sim!